7. ECONOMIA E NEGCIOS 23.5.13

1. A GRIFE QUE NO GOSTA DE GORDOS E FEIOS
2. ECONOMIZE COM OS ESCRITRIOS COMPARTILHADOS

1. A GRIFE QUE NO GOSTA DE GORDOS E FEIOS
Como declaraes preconceituosas do presidente da rede americana Abercrombie afetam a imagem e os negcios de uma gigante que faturou mais de R$ 4 bilhes em 2012 
Por Fabola Perez

Em pouco mais de uma dcada, a grife de roupas Abercrombie & Ficht deixou de ser uma marca de relativo sucesso apenas nos Estados Unidos para se tornar um fenmeno global. Nesse perodo, seu faturamento cresceu mais de dez vezes, at chegar aos US$ 4,2 bilhes em 2012, e sua reputao de marca bacana, jovial e descolada conquistou adolescentes do mundo inteiro. Parte significativa desse sucesso deve ser creditada a Mike Jeffries, um executivo com fama de maluco que assumiu a presidncia da empresa em 1996 e que logo viria a colocar em prtica ideias que pareciam esquisitas, mas que se revelaram acertadas. Em vez de vendedores convencionais, a rede contratou modelos para atender os clientes. Jeffries queria mais. As lojas passaram a simular um lugar de baladas, enfeitadas com luzes piscantes que brilhavam no ritmo do som altssimo. De novo, o executivo no se conteve e foi ento que ele teve a sacada que transformou de vez a Abercrombie. Os modelos masculinos, jovens sempre sarados, passaram a atender a clientela sem camisa e as meninas adolescentes tornaram os endereos da rede verdadeiras atraes tursticas. Basta dar uma volta na Quinta Avenida, em Nova York, para observar levas de garotas tirando fotos com a turma de corpo definido. Mas o imprio construdo com a criatividade de Jeffries agora est ameaado  e por culpa dele mesmo. Motivo: o presidente da grife falou bobagem. E das grandes. Quero apenas gente magra e bonita, disse, sobre quem seria seu pblico ideal. A declarao, como era de se imaginar, provocou uma enxurrada de protestos mundo afora.

ESTERETIPO - Na Alemanha, modelos no lugar de vendedores atraem consumidores para a rede varejista americana

Na semana passada, um movimento iniciado na internet sugeriu que roupas da grife fossem queimadas em praa pblica (at a quinta-feira 16, a data da destruio no havia sido marcada) e as redes sociais destrataram Jeffries (que, alis, no parece ser to bonito assim). No Brasil, a campanha Abercrombie Popular, criada pelo designer paulistano Isaias Zatz, 21 anos, pede que as peas da grife sejam doadas a moradores de ruas. A Abercrombie sempre foi elitista, diz Zatz. Ento, pensei que as roupas poderiam cair melhor em pessoas de verdade, sem sorrisos forados. Nos Estados Unidos, uma iniciativa semelhante tambm ganhou fora. O internauta Greg Karber postou um vdeo na internet convocando americanos para o movimento Fitch the Homeless, cuja proposta  vestir os sem-teto com camisetas, casacos e bermudas da Abercrombie. Nos ltimos dias, a revolta ganharia fora  medida que surgiram novas afirmaes estranhas de Jeffries, que se tornaram pblicas depois da divulgao de um documento interno da empresa. Sinceramente, preferimos os garotos mais atraentes,  uma das frases atribudas ao executivo, que assumiu recentemente ser homossexual. Muita gente no cabe em nossas roupas e no  para caber. Se somos exclusivistas? Totalmente. No se trata de um discurso da boca para fora. H alguns dias, a rede anunciou que deixar de fabricar roupas dos tamanhos G e GG.

PRECONCEITO - Mike Jeffries declara que no vende para pessoas fora do padro de beleza definido pela empresa

At que ponto a sinceridade visceral de um executivo, algo que o mercado no est acostumado a ver, afeta os negcios de uma corporao global como a Abercrombie? Para especialistas, a grife ter dias ruins pela frente.As frases preconceituosas podem afastar investidores e atrapalhar parcerias no futuro, diz Berenice Ring, coordenadora do curso de gesto de marcas da Fundao Getulio Vargas. As declaraes restritivas do presidente da Abercrombie esto na contramo do novo comportamento que as companhias querem alcanar no mundo corporativo, afirma Daniella Bianchi, diretora da Interbrand Brasil. Para ela, a luz amarela acendeu para a marca americana. Grande parte da populao americana usa tamanhos grandes e, ao extinguir essas roupas, Jeffries elimina uma fatia do mercado consumidor. A empresa, assegura, deve sofrer um impacto nas vendas e no vai demorar para que os acionistas reclamem das declaraes de Jeffries. Outros fatores indicam que o modelo de Jeffries d sinais de esgotamento. A combinao de vendedores musculosos, lojas badaladas e preos altos era uma boa estratgia nos tempos em que os consumidores americanos e europeus, os principais alvos da marca, podiam gastar horrores sem se preocupar com os efeitos da crise. Agora,  diferente: se em 2012 o faturamento cresceu 23,5%, a previso para 2013  de 7,14%.  hora, portanto, de Jeffries ficar de bico bem calado.


2. ECONOMIZE COM OS ESCRITRIOS COMPARTILHADOS
Novos espaos para empresrios, autnomos e freelancers oferecem custos reduzidos e estimulam o empreendedorismo
por Fabola Perez

Nascida no Vale do Silcio, nos Estados Unidos, a ideia de criar escritrios compartilhados no demorou a chegar ao Brasil. A iniciativa, que surgiu como alternativa para autnomos e freelancers, hoje atrai diversos tipos de profissionais. Quando comecei, tinha 15 clientes, mas agora possuo filiais em dois Estados, com 255 pessoas trabalhando, diz Bruna Lofego, fundadora da CWK Coworking, especializada na locao desses espaos. A grande vantagem, diz ela,  a reduo de custos operacionais. Muitas empresas no tm capital de giro nem investimento inicial para comear a atuar no mercado, afirma a diretora. Ns oferecemos planos mensais de acordo com a necessidade do profissional e toda a infraestrutura que ele precisa para comear. As despesas de um pequeno empresrio para montar um escritrio ultrapassam os R$ 5 mil mensais. J os escritrios compartilhados proporcionam planos mensais a partir de R$ 200. Outra vantagem  a oportunidade de manter contato dirio com outros executivos. Trabalhando em casa, as pessoas no tm a chance de trocar experincias e acabam no praticando o networking, afirma Joo Victor, gerente do The Hub, rede especializada no segmento de escritrios compartilhados.

